quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Indignação



Há muitos anos atrás, quando ouvi o Chamado da Deusa, eu não tinha idéia de que o caminho Dela era o caminho da arte mágica, o caminho das Bruxas. Meu chamado se deveu a uma cura que foi estabelecida em minha família, e o fato da Deusa ter tocado a minha alma, trazido de volta à vida daquele que eu tanto amava, mudou definitivamente a minha própria vida.
Durante anos celebrei a Lua sem saber que celebrava rituais chamado Esbats, e aos poucos compreendi que o movimento da natureza, os ciclos, os solstícios e equinócios também deveriam ser celebrados, pois também moviam a natureza humana.
Até que eu ouvisse que eu era uma bruxa, ou wicca, apenas celebrava a natureza, agradecia pela vida nas Luas Cheias e introduzia a meus pequenos rituais elementos que acreditava ser de grande importância (incensos, cristais, água, velas e ervas). Vi que a Grande Mãe, aquela que havia me chamado, tinha feito tudo com perfeição e que na Energia da Natureza, eu sempre encontraria meios para resolver nossos problemas.
Compreendi que cada pedra emanava uma energia diferente, e que para cada momento eu poderia utilizar essa energia específica para auxiliar na solução de problemas, para enfrentar obstáculos ou mesmo para atrair energias positivas. E assim também se fazia com as ervas. Nesta ocasião senti necessidade de me aprofundar mais no conhecimento sobre cristais, ervas, cores e de toda energia que pudesse ser emanada de instrumentos ou elementos da natureza.
Esse caminho sempre me fascinou, a cada descoberta eu me apaixonava mais pelo Caminho Dela. Os astros, as estrelas, a própria Terra falavam comigo com um sussurro suave que só os ouvidos mais conectados podem perceber.
Eu percebia a cada dia, que não só a minha vida havia mudado, mas que eu poderia auxiliar muitas pessoas a transformarem também suas vidas. E essas pessoas começaram a chegar, pedindo auxílio, ajuda, e assim vi muitas curas serem estabelecidas, através da energia que eu havia aprendido a vivenciar.
Metade da minha vida eu tenho me dedicado a este caminho, que não é um caminho fácil, nem sempre é tão glamoroso quanto alguns imaginam que seja, mas é um caminho de conquistas e vitórias. Outrora eu era uma moça de 20 anos encontrando a Energia Feminina e abraçando a Lua como uma Mãe, hoje sou uma mulher nos meus 40 anos, consciente da responsabilidade de ser uma Sacerdotisa Dela, tarefa essa muito difícil.
Durante esses 20 anos, venci preconceitos, estigmas, enfrentei os Tabus sociais. Tenho orgulho de ser Bruxa, e sou Bruxa com “B” maiúsculo porque sei da importância de seguir esse caminho trilhando sempre pelo caminho mais árduo, o caminho do bem, aquele caminho que leva a risca a nossa máxima lei: “Faça o que quiser, desde que não faça mal a ninguém.”
Procuro passar adiante sempre, todo o conhecimento que adquiri nestes anos de celebração e magia. Tenho prazer de falar para aqueles que têm a certeza deste ser também o seu caminho. São tantas coisas para serem ensinadas. A grande maioria destas informações obtive sozinha, durante as celebrações solitárias, durante minha caminhada, aprendendo, errando, consertando e seguindo adiante para não cometer erros passados, e agora tenho a oportunidade de passar esse conhecimento fazendo com que as pessoas que me ouvem não cometam os mesmos erros que cometi, e fazendo assim um grande avanço no caminho daqueles que estão iniciando sua jornada.
E é por isso que estou escrevendo agora este texto, porque me sinto indignada de ver tantos simpósios, congressos, workshops, palestras pelo Brasil afora, ministradas por pessoas que se dizem sérias e que tem acesso a tantos adolescentes e iniciantes ávidos de informação, palestras sobre temas como: demonologia, hoodoo, famaliá, etc. e me pergunto: Qual o objetivo disto? E não consigo encontrar respostas. Mas me faz lançar uma pergunta: Por que não ensinar algo realmente construtivo para a vida destas pessoas? Por que não ensinar o poder curador das ervas, das mãos, dos cristais, das cores? Será que para atrair adolescentes há de se falar do mal e destrinchar assuntos que não trarão crescimento algum? Por que não ensiná-los a celebrar e a vibrar a energia de um Sabat?
Não posso acreditar que para atrair pessoas para um evento se tenha que vibrar a energia do mal. Antes eu achava que isso era um fato isolado de um grupo pequeno de pessoas, mas agora vejo várias pessoas seguindo esta mesma linha. Isso me deixa aborrecida sim, porque metade da minha vida foi dedicada a acabar com o estigma que existe no nome “Bruxa”, e hoje quando se vê o anúncio de uma palestra ou algo assim ligado a bruxaria ou paganismo, lá está o mal sendo anunciado.
Ser Bruxa(o) é mais que isso.
Nôra Shannon

2 comentários:

PriestessBr disse...

É mesmo Nora, concordo com você. Realmente não entendo essa onda de estudos sobre o "mal". Mesmo sabendo que bem e mal não existem, o que existe é fazer algo construtivo ou destrutivo so outro, lidar com energias negativas é atraí-las para sim. Além do mais, esse tipo de estudo só se justifica para quem lida com purificações avançadas, ou seja para quem combate o "mal". Não é justificado ensinar mais sobre o lado "sombrio" do que sobre o lado "iluminado". Me prece inconcebível que nossos iniciantes (categoria a qual me incluo) saibam mais sobre coisas alheias à Bruxaria/ Wicca do que sobre nossos rituais tão profundos e belos. Beijos

Adriane Barros disse...

Nôra,também fico indignada com tudo isso. Acho que o preconceito é gerado pela falta de informação geral sobre o assunto. Mais que preconceito, vejo medo no olhar das pessoas. Espiritualidade e religiosidade para mim nada tem a ver com religião. Mas não temos como culpar as pessoas que seguem outros caminhos, elas simplesmente não percebem a força magnética que há no Universo.Muito menos percebem que todos nós fazemos parte Dela.